Justiça mantém médica em liberdade enquanto responde por morte do ex-marido em Arapiraca
03/02/2026 15:44:11
Por Redação
A Justiça de Alagoas decidiu, em audiência realizada nesta quarta-feira (28), que a médica Nádia Tamyres Silva Lima continuará respondendo em liberdade ao processo que apura a morte do ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante. O homicídio ocorreu em novembro de 2025, no município de Arapiraca, no Agreste do estado.
A manutenção da liberdade foi confirmada pela defesa da acusada e ratifica decisão anterior que havia substituído a prisão preventiva por medidas cautelares. Nádia havia sido presa em flagrante no dia do crime, após efetuar disparos contra o ex-companheiro em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), mas deixou o sistema prisional cerca de 30 dias depois, por força de liminar concedida em habeas corpus.
Na análise do pedido, o Judiciário considerou que a prisão preventiva não apresentava fundamentação concreta suficiente. Entre os pontos observados estão a inexistência de indícios de ameaça à ordem pública, a ausência de risco à instrução processual e as condições pessoais da investigada, como residência fixa e exercício profissional regular.
Também foi levado em conta o fato de a filha do casal, de quatro anos, depender diretamente dos cuidados maternos. O entendimento judicial foi de que a segregação cautelar seria desproporcional diante do conjunto dos elementos apresentados.
Mesmo em liberdade, a médica permanece submetida a medidas cautelares, entre elas a obrigação de permanecer na comarca, salvo autorização judicial, além de outras restrições impostas no curso do processo.
O crime
Alan Carlos de Lima Cavalcante foi morto no dia 16 de novembro de 2025, em frente a um posto de saúde localizado na zona rural de Arapiraca. Câmeras de segurança registraram o momento em que Nádia Tamyres se aproximou do veículo onde o ex-marido estava e efetuou os disparos. A vítima morreu ainda no local.
Após o crime, a médica foi localizada e presa horas depois, em Maceió. Ela foi indiciada por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a Delegacia de Homicídios de Arapiraca (DHA), a investigação reuniu imagens, depoimentos e a confissão da acusada, o que sustentou o indiciamento. A versão de legítima defesa apresentada por Nádia não foi corroborada pelas diligências policiais.
A liminar que garantiu a liberdade da médica foi concedida pelo desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), que destacou, na decisão, a inexistência de elementos que justificassem a manutenção da prisão preventiva, permitindo que ela responda ao processo em liberdade até o julgamento final.
Publicidade

