Alagoas lidera meningite no Nordeste e é 2º no país
20/02/2026 19:31:28
Por Redação
Alagoas registra o maior coeficiente de incidência de doença meningocócica no Nordeste e ocupa a segunda posição no país, conforme dados do Ministério da Saúde. O cenário ganhou atenção após alerta epidemiológico para meningite C em bairros de Maceió, entre eles Benedito Bentes, Jacarecica e Serraria.
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou pelo bacilo da tuberculose, mas as formas bacterianas concentram maior preocupação por serem transmissíveis e preveníveis por vacina.
De acordo com a infectologista Mardjane Lemos, da Unimed Maceió, as bactérias têm capacidade de invadir o sistema nervoso central, com maior vulnerabilidade entre crianças e adolescentes. “Crianças e adolescentes costumam ser mais vulneráveis porque apresentam maior permeabilidade do SNC”, explica.
Entre outubro e dezembro de 2025, três casos de meningite C foram confirmados em intervalo inferior a 90 dias em áreas próximas da capital. A situação levou o município a adotar protocolos de vigilância e bloqueio vacinal.
“É uma doença extremamente aguda. Em casos graves, a meningite bacteriana pode evoluir para óbito em 24 a 48 horas após o início dos sintomas”, alerta a médica. Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos e mal-estar estão entre os principais sinais.
A estratégia adotada incluiu microplanejamento com vacinação em raio de até 1 km² a partir dos casos confirmados, independentemente da faixa etária, com objetivo de interromper a cadeia de transmissão.
Os índices de cobertura vacinal estão abaixo do ideal. Em 2025, Maceió registrou 84,85% na primeira dose da vacina meningocócica C; em 2024, 85,82%; e, em 2023, 90,41%. A meta preconizada é superior a 95%.
Gráficos do Ministério da Saúde indicam dois picos de incidência da meningite C: um em 2013 e outro a partir do fim de 2025. A vacina foi incorporada ao calendário infantil em 2011, e a queda dos casos após 2013 coincidiu com ampliação da cobertura.
Nos anos seguintes, os percentuais recuaram, com índices inferiores a 80% em períodos como 2017, 2020, 2021 e 2022. Parte da redução é associada aos impactos da pandemia, que afetaram campanhas de imunização em diversos países, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Além da incidência, os dados de letalidade também chamam atenção. Em 2023, a taxa nacional foi de 25,6%, enquanto Alagoas registrou 60% no mesmo período. “A leitura combinada dos três indicadores — incidência, cobertura vacinal e letalidade — aponta para a necessidade urgente de reforçar as estratégias de imunização”, afirma Mardjane.
Segundo a infectologista, em casos suspeitos, o antibiótico deve ser iniciado na primeira hora de atendimento. “Em meningite meningocócica, tempo é ouro”, conclui.
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